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A arte reconstruindo vidas

(Por Flávia Fróes)

No frio insuportável da cabine de voo, observo a rosa vermelha de origami que trago de um encontro inesquecível… Corpo dolorido da semana exaustiva. Madrugada com 3 horas de sono. O coração, entretanto, transborda de júbilo pelo dia.
Levada pelas mãos generosas do meu querido amigo Bruno, escultor de liberdades, conheço CERESP BETIM, nela duas mulheres extraordinárias que , incansáveis, lutam por levar dignidade e esperança àquele depósito humano.
A capacidade da unidade prisional é de quatrocentas pessoas, mas abriga pouco mais de mil e cem.
Com brilho nos olhos sou levada agora pelas mãos de uma mulher linda por dentro e por fora, a conhecer os projetos da unidade para integração social de presos e humanização no cumprimento da pena.
Tatiana , com um sorriso largo no rosto e um enorme brilho nos olhos verde-esmeralda, me conta como conseguiu, sem recursos criar espaços de saúde, oficinas para os detentos e me mostra as atividades voltadas para as crianças, filhas de aprisionados, que realiza nos dias de visita. 
Em seguida, ela me leva então a oficina de origami da unidade, onde conheço a idealizadora daquele lindo projeto de amor: Rose. Ambas, com uma extraordinária visão acerca dos seus papéis como instrumento de redenção me mostram aquele belo trabalho na presença de Lucas, prisioneiro que tornou-se professor, com o mesmo brilho nos olhos e a fé no futuro pós cárcere das duas tutoras.
Meu rosto à essa altura está encharcado de pranto… A mente volta vinte e quatro anos no tempo, quando a jovem estudante de direito entrara pela primeira vez na unidade prisional onde construiria sua trajetória como escultora de liberdade. Foi justamente uma oficina de origami e outras artes manuais, o primeiro lugar de onde veria a miséria humana da prisão… Aquelas imagens estariam para sempre na memória de quem escolheu ser a voz do outro, do silenciado, mudando definitivamente o nosso destino.
Das mãos generosas daqueles dois anjos, recebo lembranças do lindo trabalho feito pelos presos sobre a direção de ambas.
A prisão avilta, corrói, desumaniza para fazer o preso sentir dor. Nada mais. 
As famílias cumprem castigos juntamente com seus entes queridos, sendo piada de mau gosto falar em intranscendência da pena. 
Hoje meu coração transborda gratidão em conhecer pessoas que , como eu, acreditam e lutam pela humanização e tratamento digno para aqueles a quem a sociedade rotulou como indesejados. Não estamos sós…

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